Sexta-feira, Outubro 31, 2003
Obrigada Joel. Também eu tenho medo. Mas percebo que não estou sozinha. Obrigada, Joel.
O uivo do lobo. É um blog que via as vezes. A partir de hoje vou ver sempre.
Santos da Casa. O programa Malucos do Riso é muito mau. Mas é líder de audiências e isso chateia as outras televisões. Então, como faz sempre, a RTP decidiu gastar o nosso dinheiro naquela palhaçada chamada Santos da Casa. Será que a dívida com a produtora Teresa Guilherme é assim tão grande? Esta nova "coisa" que estreou ontem é das coisas mais pirosas q tenho visto na televisão portuguesa. Até a Residencial Tejo era melhor.
Quinta-feira, Outubro 30, 2003
Para a Isa. Um presente de aniversário.
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo, Todos os Poemas, Lisboa, Assírio & Alvim, 2000
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo, Todos os Poemas, Lisboa, Assírio & Alvim, 2000
Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Alma Benfiquista. Viva o Benfica. Esse grande clube. O clube do povo. E ainda bem que o é. Só o Benfica e os benquistas poderiam ter orgulho no povo que não tem dentes, que leva farnel e que vaia primeiros-ministros durante uma inauguração. Obrigada, SLB.
Parabéns. Esqueci-me de um aniversário. Sim é frequente. Mas quando estamos longe sentimos mais. Vou usar a blogosfera para desejar muitas felicidades a quem tem ligações noutro país.
Tristeza. Não pude deixar de ficar triste quando verifiquei que O Maranhão abandonou a blogosfera. Vamos todos fazer um apelo: volta Maranhão, sentimos a tua falta.
Harry Potter. Está de volta. Ainda bem. Aguardo ansiosa pela chegada do livro a minha casa. Leio Harry Potter e gosto.
TVI. Já que estamos a falar de mau gosto. Que tal falar da total ausência de gosto? O quarto canal da televisão portuguesa é o melhor exemplo da falta de tudo: gosto, educação, carácter, valores, etc.
No Jornal Nacional a directora de informação “pega-se” com o comentador; no Big Brother a apresentadora tem orgasmos múltiplos só de falar com os concorrentes acefálos; a inauguração do novo estádio do Benfica serve para uma emissão diária - apresentada por esse exemplo perfeito de bimbalhice - Carlos Ribeiro, de adeptos sem dentes, cantores pimbas e outros que tais. E tudo isto é em nome do serviço público? Que se lixe o serviço público. Venha o lápis azul da censura e fechem a TVI de uma vez por todas! Isto sim será de serviço público.
No Jornal Nacional a directora de informação “pega-se” com o comentador; no Big Brother a apresentadora tem orgasmos múltiplos só de falar com os concorrentes acefálos; a inauguração do novo estádio do Benfica serve para uma emissão diária - apresentada por esse exemplo perfeito de bimbalhice - Carlos Ribeiro, de adeptos sem dentes, cantores pimbas e outros que tais. E tudo isto é em nome do serviço público? Que se lixe o serviço público. Venha o lápis azul da censura e fechem a TVI de uma vez por todas! Isto sim será de serviço público.
Herman José. Não há palavras. É mau demais. É pior que mau. É desprezível. As piadas são de um mau gosto notório, o programa está brega, popularucho e totalmente desinteressante. Mas o “loiro de Carnaxide” está na maior. Afinal, tem o país a seus pés. Este país que não tem lugar para ele. Será que não nos chega a corrupção, as prostitutas de Bragança, a pedofilia e a Casa Pia? Definitivamente o Herman está a mais. Será que o Falabella não precisa de mais um (mau) sósia? Ou talvez o Roberto Leal?
Os sogros. Tema delicado. Gosto dos fins de semana, das conversas, dos miminhos. Gosto deles. E gosto dela. Da sogra. E gosto a sério. Espero que gostem das vossas.
Sic Mulher. Andava tão feliz com o sexto canal da TVCabo. Era só boas séries, nada de programação “a sério”...mas tudo o que é bom acaba depressa e os directores de programas decidiram estragar o que era uma excelente grelha televisiva. E, agora temos uma misturada que não se aguenta. Maus programas. Más apresentadoras. Maus temas. Já não bastava o canal chamar-se Sic Mulher como agora ter que suportar a Luísa Castel-Branco ou, ainda pior, a Laurinda Alves???? Por favor, deixem de se preocupar com grelhas e reponham as séries que fazem as delícias de ambos os sexos.
Filas de Trânsito. Haverá alguém que me consiga explicar porque é que se construiu a Ponte Vasco da Gama? Não foi de certeza para diminuir o trânsito na 25 de Abril porque este continua e, a meu ver, aumenta todas as manhãs. Nas filas monumentais que se estendem por todos os acessos à 25 de Abril vemos centenas de camiões. Porquê??? Será que a outra ponte não aguenta o peso? Ou serão as empresas de camionagem que não aguentam o peso das portagens? Mas seja como for, EU não tenho nada a ver com isso! E vou continuar a gritar aos sete ventos: Camiões, Sim. Na 25 de Abril, Não.
Regressar. Tenho estado fora da blogosfera. Agora vim para ficar...mas sem pressões. Só virei quando me apetecer. Para mim o blog é um “hobbie”, não uma devoção. E acho que é assim que deve ser. Para mim é.
Quarta-feira, Outubro 08, 2003
Boas maneiras. Ninguém tira o mérito jornalístico a Ana Sá Lopes mas será que AINDA não lhe disseram que uma senhora não se coça em público? Principalmente se estiver na televisão, a comentar o caso Martins da Cruz? A Paula Bobone terá certamente todo o prazer em dar algumas lições...
Maus Fígados. Uma boa pasta de fígado é sempre uma boa entrada. O pior é quando o fígado azeda!
Este blog podia perfeitamente ter-se chamado Maus Fígados mas alguém já tinha tido esta ideia brilhante. Assim, ficou-se pelos acepipes e depressa chegará aos azedumes.
O que importa é que gosto do MausFigados. Gosto. Ponto Final.
Este blog podia perfeitamente ter-se chamado Maus Fígados mas alguém já tinha tido esta ideia brilhante. Assim, ficou-se pelos acepipes e depressa chegará aos azedumes.
O que importa é que gosto do MausFigados. Gosto. Ponto Final.
Identidade descoberta. O Gato Fedorento adianta que o autor de O meu Pipi é a Teresa Guilherme. Os argumentos são válidos. De facto, a oratória de cariz sexual utilizada pela apresentadora também me faz crer que poderia ser possível. Mas quem lhe escreverá os textos? A Teresa não terá capacidade para escrever tão bem como "O meu Pipi". O que me faz pensar: Será que os autores do Gato Fedorento não serão também os "escrivãos" de O meu Pipi? As ideias esssas serão certamente da Teresa.
Barragem do Maranhão. Nasci no alto alentejo. A barragem do Maranhão faz parte da minha infância. Era para lá que, muito a contra gosto, o meu pai me levava à pesca da carpa, do achigã. Por isso não posso deixar de agradecer ao O Maranhão por me ter feito recuar muitos anos, alguns dos quais tinha apagado completamente da memória. Obrigado!
E, a propósito, o SG Filtro também foi o meu primeiro cigarro. Oxalá...tivesse sido o último. Mas não foi e paciência. Fumo. Mas só produto nacional. Gosto de Português Suave. O meu avô fumava Sintra (penso que com S) e tenho saudades de o ver fumar um cigarro, à beira do Maranhão numa tarde de Verão.
E, a propósito, o SG Filtro também foi o meu primeiro cigarro. Oxalá...tivesse sido o último. Mas não foi e paciência. Fumo. Mas só produto nacional. Gosto de Português Suave. O meu avô fumava Sintra (penso que com S) e tenho saudades de o ver fumar um cigarro, à beira do Maranhão numa tarde de Verão.
Literatura. Lia-se hoje no SemCaracteres que "Se o Nobel pôs toda a gente a ler Coetzee, ainda bem. E nem todos os anos podemos escrever isto com tamanha segurança."
Não posso deixar de concordar. De facto, o Nobel também fez com que toda a gente lesse Saramago. Mas nessa altura não se disse "Se o Nobel pôs toda a gente a ler Saramago, ainda bem". E ainda bem que não se disse!
Não posso deixar de concordar. De facto, o Nobel também fez com que toda a gente lesse Saramago. Mas nessa altura não se disse "Se o Nobel pôs toda a gente a ler Saramago, ainda bem". E ainda bem que não se disse!
A Partida. Este é o título de um dos contos de Kafka que durante muito tempo fez todo o sentido na minha vida. Hoje ainda faz. Serve-me de orientação quando me sinto perdida. Detesto que as pessoas achem sempre que sabem o que devem as outras sentir. Será que alguém me consegue explicar porque é que nunca podemos estar mal? Há sempre alguém que diz: "mas estás assim porquê? Nem sequer tens razão para estares assim?", mas o que sabem os outros da nossa vida? Será que temos, tal como bibelots, que ficar onde nos querem pôr? Não. Sei que não tenho. Mesmo que a saída seja menos airosa ou até mesmo para lado nenhum...Mas se sair é a nossa meta, então deixem-nos ir! Só ir... tal como Kafka.
"A Partida"
Dei ordem para irem buscar o meu cavalo ao estábulo. O criado não me compreendeu. Fui eu mesmo ao estábulo, ensilhei o cavalo e montei. Ao longe ouvi o som de uma trombeta, perguntei o que significava aquilo. Ele de nada sabia, não ouvira nada.
No portão deteve-me, para me perguntar:
- Para onde cavalga o senhor?
- Não o sei - respondi -. Apenas quero ir-me daqui, somente ir-me daqui. Partir sempre, sair daqui, apenas assim posso alcançar minha meta.
- Conheces então, tua meta? - perguntou ele.
- Sim - respondi eu -. Já disse. Sair daqui: esta é minha meta.
Franz Kafka
"A Partida"
Dei ordem para irem buscar o meu cavalo ao estábulo. O criado não me compreendeu. Fui eu mesmo ao estábulo, ensilhei o cavalo e montei. Ao longe ouvi o som de uma trombeta, perguntei o que significava aquilo. Ele de nada sabia, não ouvira nada.
No portão deteve-me, para me perguntar:
- Para onde cavalga o senhor?
- Não o sei - respondi -. Apenas quero ir-me daqui, somente ir-me daqui. Partir sempre, sair daqui, apenas assim posso alcançar minha meta.
- Conheces então, tua meta? - perguntou ele.
- Sim - respondi eu -. Já disse. Sair daqui: esta é minha meta.
Franz Kafka
Terça-feira, Outubro 07, 2003
Entro hoje neste universo. Dia de demissões. Para mim de admissão. Já me serviram as entradas. Agora esperam-se os azedumes. Irei pouco a pouco partilhá-los com quem estiver do outro lado. Não com a mestria de um Aviz, nem com o humor inteligente de um Gato Fedorento. Mas com vontade de partilhar. Coisas boas e más. Coisas que só aqui têm lugar. Resta desejar-me boa sorte.